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Saiba preços e conheça planos de carro por assinatura no Brasil

Montadoras investem no modelo para quem quer ter um automóvel zero quilômetro na garagem por um valor fixo mensal, sem se preocupar com pagamentos de revisão, manutenção técnica, seguro, impostos e taxas. Veja os modelos disponíveis

Há uma nova modalidade de serviço no mercado para quem quer ter um automóvel zero quilômetro na garagem, mas não gosta da ideia de investir uma dinheirama para tirá-lo da concessionária: o carro por assinatura. Para compreender melhor como funciona a novidade, ter um carro por assinatura é como o aluguel de um veículo, mas por um prazo longo, normalmente entre 12 e 24 meses. Ao final do período estabelecido, o veículo é devolvido à empresa e o contrato pode ser renovado. Nesse caso, o cliente recebe um novo carro zero quilômetro.

O serviço, que, diga-se de passagem, cresce no mercado de forma exponencial, oferece a vantagem de permitir que por um valor fixo mensal o cliente possa ter um carro à disposição, sem se preocupar com pagamentos de revisão, manutenção técnica, seguro, impostos e taxas. Esses valores estão todos incluídos no contrato. Só é necessário colocar a mão no bolso para abastecer o tanque de combustível e, eventualmente, pagar multas e estacionamento. É, sem dúvida, uma proposta atraente, e que abre o mercado para o consumidor prático, desapegado, que tem em mente única e exclusivamente resolver suas questões de mobilidade. É mais um passo para retirar o carro da lista de patrimônio das pessoas para inseri-lo nos bens de serviço, como, por exemplo, um smartphone.

O compacto Kwid, da Renault: a partir de R$ 869 por mês, no contrato de 20 meses (foto: Divulgação)

Ao optar pelo carro por assinatura é bom ficar atento a alguns aspectos da negociação. O principal deles é o limite de quilômetros a serem rodados por mês. Quanto menor a quilometragem mensal permitida, mais barato é o valor da assinatura. Entre as ofertas encontradas no Brasil há contratos para 500 quilômetros por mês, que pode atender aos que rodam pouco. O mais usual é optar por 1.000 a 1.200 quilômetros mensais, que parece ser a média mais comum de uso do automóvel para uso urbano e em viagens curtas. Se na entrega do veículo, ao final do prazo do contrato, o hodômetro mostrar uma quilometragem maior que a combinada, o assinante deverá pagar um valor extra por quilômetro rodado além do permitido. De acordo com nossa pesquisa no leque de ofertas atual, o valor começa em R$ 0,50 por quilômetro. Outro aspecto a ser observado é com relação à cobertura do seguro incluído. É preciso verificar se há e quais são os valores da franquia. Algumas empresas que oferecem carros por assinatura oferecem pacotes adicionais de segurança e acessórios extras.

Os carros por assinatura chegaram a mercado brasileiro há cerca de dois anos, mas vêm ganhando corpo de forma muito rápida. Novas locadoras foram criadas para entrar no negócio, as grandes locadoras tradicionais já incluíram essa modalidade no seu negócio, várias concessionárias de automóveis também estão investindo de forma robusta no carro por assinatura e, desde o final do ano passado, os próprios fabricantes de veículos concluíram que esse é o novo real e lançaram vendas diretas (em parceria com suas redes de revendedores) de carros por assinatura. No Brasil, a Volkswagen, a FCA e a Renault já se lançaram nessa estrada, impulsionadas também pelo efeito da pandemia, que, ao impor a distanciamento social, de certa forma acabou alavancando as vendas de carros. Quem tem condições passou a evitar o uso de transportes públicos urbanos, sinônimo de aglomeração. O jeito passou a ser andar de carro, de bicicleta, motocicleta ou a pé.

O T-Cross, da Volkswagen: a partir de R$ 1.899 por mês(foto: Divulgação)

Para decidir se faz a compra tradicional ou assina um carro, o mais importante é colocar os números na ponta do lápis. É somar os valores a serem desembolsados para comprar e manter o automóvel escolhido pelo prazo do contrato em mente e projetar o rendimento desse total no mesmo período, se aplicado em fundos financeiros. Se o resultado mensal for igual ou superior ao custo da assinatura, a operação pode valer a pena. Nunca esquecendo dos riscos inerentes ao grau de agressividade da aplicação escolhida e levando em conta os juros que seriam pagos na compra de um carro no formato tradicional.

Levando isso em conta, o mercado indica que o carro por assinatura é mais viável quando a escolha é pelos automóveis de entrada, mais baratos, com valores mensais na casa dos R$ 1 mil. Não foi por outra razão, por exemplo, que a Renault se lançou na nova modalidade limitando sua oferta ao compacto Kwid (com mensalidade de menos de R$ 869 – contrato de 20 meses) e ao Duster, seu modelo SUV (R$ 1.839 – contrato de 18 meses). Além da Renault estreou também neste mercado a Flua!, subsidiária da Stellantis (holding que controla a Fiat, PSA – Peugeot Citroën e Jeep). As duas sem uniram à Toyota, Audi e Volkswagen, que já ofereciam o serviço no Brasil.

Para Fábio Siracusa, CEO da Flua!, preço não deve ser único diferencial: empresa aposta em aplicativo no qual o cliente pode fazer suas solicitações (foto: Paulo Barreta/Divulgação)

A Renault aposta no preço como seu maior atrativo e o fato de estar presente em todo o território nacional, diferentemente de suas concorrentes, que oferecem o produto apenas em algumas capitais. Na Flua!, o preço não é o maior argumento para fechar um contrato. Os valores começam em R$ 1.350 mensais para o uso de um Argo 1.0 por três anos. Na concorrência, os valores são mais baixos. Na Locadora Unidas, o mesmo pacote sai por R$ 1.219 mensais. A Movida cobra R$ 1.236. Para Fábio Siracusa, CEO da Flua!, preço não é tudo. A empresa afirma que seu produto é o mais completo do mercado por oferecer um aplicativo no qual o cliente pode fazer suas solicitações.

A Flua! começou sua operação no dia 15 de janeiro, com a divulgação de pacotes de assinatura de carros zero quilômetro. O modelo é similar com o que já é ofertado por outras empresas. A modalidade carro por assinatura tem por alvo pessoas que gostam de testar novidades e que geralmente não têm um carro, dizem analistas do mercado automotivo. Segundo pesquisa da Flua!, esse novo consumidor tem em comum o desapego do sentimento de posse. Esse novo cliente já existe e enxerga o carro como serviço. A operação da Flua! começou com 32 concessionárias em São Paulo e no Paraná como um projeto piloto que terá duração de seis meses. O plano é estender a Flua! por mais cinco estados até o final deste ano. São oito carros da Fiat disponíveis para assinatura: Argo, Nova Strada, Toro, Cronos, Grand Siena, Doblò, Fiorino e Ducato. Da Jeep, estarão disponíveis o Renegade e o Compass.

A Volkswagen já oferece o carro por assinatura desde novembro do ano passado. O programa começou com dois modelos – T-Cross e Tiguan – e no início deste ano incluiu o Nivus e o Novo Jetta Comfortline. A ideia é ampliar o portfólio até chegar a toda a linha de veículos da marca. O serviço da marca alemã pode ser contratado na plataforma virtual do plano de assinaturas, o VW Sign&Drive, em seis passos: da seleção do carro à assinatura digital, passando pelo cadastro do cliente e upload de documentos. Depois do cadastro, o carro é retirado, num prazo de até sete dias, numa das concessionárias da Volks, por enquanto, apenas no estado de São Paulo. Os veículos podem ser alugados por 12 meses – opção disponível para o modelo T-Cross a partir de R$ 1.899 por mês -, e por 24 meses, disponível na locação do Tiguan a partir de R$ 3.659 por mês.

As maiores desse mercado, porém, não são montadoras, mas sim locadoras de carros, como Localiza, Unidas e Movida. Quando o assunto é preço, a última leva vantagem. Vale lembrar que as locadoras levam vantagem financeira em relação às concessionárias, já que conseguem vultosos descontos nas compras de suas frotas diretamente dos fabricantes, além de pagarem IPVA bem mais barato do que os demais consumidores.

Preços de planos de assinatura de carros no Brasil

Confira alguns pacotes de 36 meses com franquias de 1.000 km/mês (em reais):

*Preço do pacote de 24 meses
**Preço do pacote de 18 meses
Fonte: pesquisa realizada pela CNN Brasil Business

Por Fábio Doyle

Fonte: Revista Encontro

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