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Menos venda e aluguel eventual e mais assinaturas: como a Movida encarou a crise

Renato Franklin, CEO da empresa, comentou os resultados ao CNN Brasil Business e explicou como a operação deve avançar em 2021

A Movida registrou, no primeiro trimestre de 2021, um lucro líquido de R$ 109,7 milhões, como mostra o balanço divulgado pela empresa nesta terça-feira (27). O valor foi 98,7% superior ao do mesmo período do ano passado e 21% inferior ao do quarto trimestre de 2020.

Já o Ebitda, ou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ficou em R$ 304,5 milhões, em linha com as previsões da Refinitiv. O valor subiu 35,2% em relação aos três primeiros meses de 2020 e recuou 0,26% em relação aos três últimos.

E, quando o setor voltava a ganhar tração, no final de 2020, sofreu novamente com as restrições impostas no mês de março por causa do colapso dos sistemas público e privado de saúde.

Como resultado disso, as ações das três principais empresas do país no segmento, Localiza, Unidas e a própria Movida, possuem desvalorização de pelo menos 10% em 2021 (até 27 de abril).

Em entrevista ao CNN Brasil Business, o CEO da Movida, Renato Franklin, comentou os resultados, que mostram como a companhia buscou se adaptar ao momento e, mais do que isso, como está enxergando a empresa e o setor no futuro.

Aluguel de carros

A receita líquida do segmento de aluguel de carros (rent a car) subiu, nos primeiros três meses do ano, 12,2% ante o 1º tri de 2020 e 1,7% em relação ao 4º tri do ano passado, totalizando R$ 365,1 milhões. Apesar disso, a taxa de ocupação dos veículos e a diária média recuaram em relação ao final do ano passado.

“O aluguel eventual é o que mais sofre. Os números de aluguéis em aeroportos, por exemplo, continuam baixos, mas conseguimos crescer na mobilidade urbana. São aquelas pessoas que andavam de transporte público e agora preferem o carro”, diz. “Também cresceram os aluguéis corporativos para substituir viagens curtas, que antes eram feitas de avião.”

Gestão e terceirização de frotas

Na gestão e terceirização de frotas, a receita líquida da Movida cresceu, nos primeiros três meses do ano, 30,6% ante o 1º tri de 2020 e 17,2% em relação ao 4º tri do ano passado, totalizando R$ 165,3 mi. A frota cresceu 11% no período, para 54,1 mil carros, com a compra da operação da VOX Frotas.

“Estamos vendo empresas de pequeno e médio porte aderindo ao aluguel de frotas, a par do que já ocorria com as grandes. Além disso, o aluguel de carros zero por pessoas físicas também cresceu bastante, registrando uma demanda muito maior que aquela que conseguimos atender”, afirma.

Neste caso, são contratos de médio e longo prazo, com prazos de 2 ou 3 anos. Segundo o gestor, isso representa uma mudança no perfil de consumo do brasileiro, que está buscando mais a utilização do que a posse de produtos.

Seminovos

Sobre a demanda por carros, Franklin afirma que o setor automotivo tem tido gargalos de produção e entrega de veículos, o que dificulta a execução de parte das estratégias da companhia.

“Temos visto a indústria automotiva com dificuldades para retomar a produção. Este ano, a falta de chips tem travado este fluxo. Muito por conta disso, vendemos e compramos carros mais rapidamente em 2020”, diz.

No primeiro trimestre de 2021, no entanto, as vendas caíram consideravelmente. A receita líquida foi de R$ 274,5 milhões, 50,9% menos do que no 1º tri de 2020 e 43,9% abaixo do 4º tri do ano passado.

Em compensação, o preço médio do carro vendido avançou de R$ 50,1 mil, no final do ano passado, para R$ 51,8 mil, no início deste ano, algo que a empresa acredita que deve se manter nos próximos meses, devido à alta da inflação.

Mercado

Com todos os números apresentados, o gestor demonstra ter confiança no crescimento do segmento. Aponta, inclusive, para um crescimento do setor de 15% a 20% nos próximos anos, contando com a transição do público para os modelos ofertados.

Questionado sobre como a possível fusão entre Localiza e Unidas, os dois maiores players do setor no Brasil, pode afetar a concorrência entre as empresas, Franklin externou sua preocupação.

“Como o crescimento é forte no setor, a competição fica racional. É uma competição sem agredir preços, que traz retornos para todos. Uma eventual fusão reduz essa competição e provavelmente os preços subiriam”, diz.

“Eu sou a favor da competição porque nos estimula a fazer cada vez mais e oferecer preços acessíveis. Teremos crescimento independente da decisão do Cade, mas, a depender disso, os resultados podem afetar o tamanho desse crescimento.”

Finanças e futuro

Com cerca de R$ 6 bi em dívidas, a Movida vem emitindo debêntures trimestralmente para sanar os compromissos de curto prazo e mudar o perfil dos títulos de longo prazo. A última emissão, de abril, levantou R$ 550 milhões. Com este reforço de liquidez, fechou o primeiro trimestre com R$ 2,9 bilhões em caixa.

O executivo não descarta aquisições como a da VOX Frotas, que conta com cerca de 1.800 carros no segmento de luxo, mas garante que o principal objetivo da empresa é crescer organicamente.

Ainda no campo de emissões de títulos, a companhia também disponibilizou para o mercado, em janeiro de 2021, o primeiro “Sustainability Linked Bond” do setor de aluguel de carros no mundo. Serão outros R$ 3 bilhões em caixa, com a remuneração atrelada à performance sustentável da empresa.

Nessa linha, e buscando educar os consumidores, a marca passou a disponibilizar carros elétricos em sua frota, dando descontos para motoristas de aplicativo que desejam experimentar a modalidade.

“Com nossa promoção, o Nissan Leaf pode sair por pouco mais de R$ 200 a diária. Mais caro que um veículo comum, é verdade, mas sem o gasto com gasolina, que é o mais representativo para a categoria”, diz.

A empresa conta atualmente com cerca de 100 veículos elétricos e fechou parceria com a Renault para comprar unidades do novo Zoe E-tech.

Por Matheus Prado

Fonte: CNN

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